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Criar, fluir e expandir... A vida é bem melhor assim
“Primeiro dia de aula!!!!
Finalmente sou uma universitária, foca, futura jornalista e, acima de tudo, sedenta por apreender, compreender, propagar a informação, fazer pensar, transmitir emoção, descobrir e ir além.
Tomara Deus que futuralmente (rs) ao ler estas palavras eu possa dar uma boa gargalhada, não apenas pelos erros, mas, também, pelo sentimento de realização, conquista de sonhos.”
(Querido diário 24 fev. de 2005)
Sim, hoje eu dou risada, os olhos brilham, mas não sem diversas lágrimas pelo caminho. Ontem eu refleti muito sobre isso após uma reunião com minha redatora chefe, uma reunião inesperada com frases e olhares que me fizeram muito bem, após um fechamento cruel.
A repórter em que me converto é fruto da menina que optou por trabalhar aos 15 anos, a se arriscar em meio ao mundo financeiro e comercial do centro de São Paulo, a menina que intuitivamente preferiu continuar trabalhando a fazer cursinho. Depois chorou ao saber que não poderia estudar na Cásper, brigou pela bolsa de estudos na Anhembi, agarrou com unhas e dentes cada estágio que surgiu em seu caminho, acumulou funções, razões, insatisfações, pediu demissão inúmeras vezes, recomeçou, planejou novos projetos, os abandonou, amou profundamente a diversidade.
As palavras, sempre elas, me fizeram alcançar uma chance fantástica de conviver próxima, bem próxima, a uma grande redação, e eu não titubeei. Me joguei da pedra mais alta e me desafiei a acompanhar-me. Corri, corroí o tempo, quebrei a cabeça com sistemas e egos. O silêncio me fez crescer. Me fez compreender que não há pessoas boas ou más, há aquelas que sabem ou não equilibrar.
Neste ano prometi a mim mesma criar, fluir e expandir, até o infinito, até onde os meus sentidos agüentassem, esse seria o meu lema, o poema maior. Trabalhei mais do que estudei (e disso não me orgulho), tentei absorver e oferecer o melhor de mim. Briguei feio com meu medo. E conquistei uma chance ainda melhor, dessa vez, fazer parte da redação, ser lida por mais de 120 mil pessoas em todo o Brasil.
Fiquei tão-tão feliz, mas não imaginava o quanto isso doeria e exigiria de mim. Redação é um casamento que todo mês entra em crise, é posto a prova, entra em seu inferno astral e exige atenção, compreensão, paciência e principalmente, nervos de aço. Não os tenho, é fato. Virei bicho, trabalhei para além do estabelecido em contrato, engoli sapo, escrevi e li com as veias saltadas, descontei em quem amo, pedi perdão e cai em prantos. Tudo muito intenso, como sempre.
Mas, eu amo o que faço. Amo ler e reler e escrever e saber que aquilo toca alguém. Amo me fazer viver para além de mim através de palavras. E ontem tive meu trabalho reconhecido mais uma vez, descobri que fui cotada para uma viagem ao exterior (minha primeira grande viagem!), que os editores querem ver minhas palavras em reportagens maiores e, para isso, querem que eu indique alguém para fazer a parte chata do meu trabalho, assim terei tempo para pautas mais complexas e não apenas notas.
O melhor disso tudo? Superação! Super-ação! Reconhecimento dos dias de tormento dedicados com paixão. Dos textos que ainda irei reescrever três vezes com um pouco de raiva, mas prazer, do desejo por apreender e compartilhar sempre mais.
Da menina de 2005 permanece a ansiedade, a vontade de mudar o mundo, de pular cada vez mais alto e de ler estas palavras com sorriso pleno e emocionado futuramente.
“Não deixe idéia de não ou talvez
Que talvez atrapalha
O amor é um descanso
Quando a gente quer ir lá
Não há perigo no mundo
Que te impeça de chegar”
(Moreno Veloso e Quito Ribeiro, na voz charmosa de Roberta Sá)

Eu e aquele que me aguenta e compartilha as conquistas,
carícias e afins. Pano de fundo: Prêmio Viagem e Turismo.
Escrito por Talita, Tali, Táta, Tá às 17:07
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