Sim, eu tenho que explicar, as páginas em branco guardam outros tons e isso é tudo.
Fiquei só, mas não tão só quanto no último post, sem a presença física, mas com uma certeza impregnada no silêncio. Tem volta, rima e bossa amanhã.
Mas, enquanto não chega, eu me envolvo em dilemas futuros, prestar isso ou aquilo? Fazer um tema médio no TCC só para passar? Quando abandonar a redação? Abandoná-la? Como domar minha vontade de mudar o mundo, começando pelo meu universo particular? E se eu nunca ficar satisfeita? E se eu sempre buscar novos caminhos pelo simples fato deles serem novos? Tantas e tantas coisas.
Pintei as unhas do pé de vinho, derramei Baudelaire aos meus pés, deixei meus pré-conceitos e conservadorismo de lado, e desfilei sangue e um tantinho assim de ousadia. As mãos acompanharam e presenciaram uma cena engraçada:
Hoje fui ao Mac Donalds sozinha, como estava chovendo e na hora do jantar não havia uma mesa se quer desocupada, mas, como é de costume, casais ocupavam mesas para quatro pessoas. Não tive dúvidas, escolhi a duplinha com mais cara de tédio e pedi para sentar-me. Meio que a contragosto a menina quis mostrar-se educada para o rapaz e deixou. Sorri, sentei e me concentrei nos textinhos da minha bandeja.
Mas, foi inevitável, juro, mais forte do que eu... Comecei a ouvir a conversa alheia. Eles não se conheciam direito, mas queriam se impressionar, ele dizia que corria não sei quantos quilômetros por dia e que comia mais rápido que fulano de tal (eu se fosse ela, já ficaria imaginando o quão desagradável é estar com alguém que come rápido e em todos os problemas e significados que isso pode implicar...).
Papo bobo vai, vem, eis que o tal rapaz fixa o olhar em mim por um momento. Como eu sei? Oras! Eu percebi pelo silêncio constrangedor. Tive muita vontade de fazer um barulhinho com o canudo, aqueles de criança mesmo, só para quebrar o clima. Mas, a tal menina reage e diz em tom de desabafo a bela frase:
”Ontem eu também queria muito ter feito a minha unha, mas o dia foi tão corrido”
Não, eu não ri. Nem o menino, que, extremamente envergonhado disse que ela estava ótima.
Não, eu não estraguei a noite alheia. Mas, confesso, pela primeira vez achei as minhas unhas sexy’s.
Fora isso, assisti a filmes, andei para caramba, decidi e desisti de coisas e mais coisas... Não sei se terei filhos, não sei se casarei um dia, não sei se terei casa, carro e dinheiro, não sei se um dia ficarei quieta, não sei se respeitarei dietas, limites, palpites... Não sei se isso é bom ou ruim. E não acho que deva definir tão cedo.