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Intuindo


...

O último pôr-do-sol

 

Não vou cravar palavras

Só porque o dia está

Exposto as moscas

Nem calar a boca

Só porque não há beijos

Nem lampejos de

Inspiração

 

Não vou parar a canção

Nem falar palavrão

Nem jurar em vão

Não vou cair na imensidão

Das rimas fáceis

 

Mesmo que tudo

Seja tédio

E um tanto

De não-dito

 

Não vou brincar

De ferir

Nem fingir não

Sentir

O que nem está

Aqui

 

Não vou começar

Um drama,

Não vou arrumar

A cama,

Nem seguir ordem

Alguma.

 

Mesmo que tudo

Seja um prédio

Com garras

de alumínio

 

(Fruto do que? Quer mesmo saber? Olhe ao redor e veja que o jardim secou. Ainda restam amoras, no cimento, no cabelo, em galhos exaustos. Mas, quer mesmo saber? Já é outra estação)



Escrito por Talita, Tali, Táta, Tá às 18:00
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Dança da Solidão

Sim, eu tenho que explicar, as páginas em branco guardam outros tons e isso é tudo.

Fiquei só, mas não tão só quanto no último post, sem a presença física, mas com uma certeza impregnada no silêncio. Tem volta, rima e bossa amanhã.

Mas, enquanto não chega, eu me envolvo em dilemas futuros, prestar isso ou aquilo? Fazer um tema médio no TCC só para passar? Quando abandonar a redação? Abandoná-la? Como domar minha vontade de mudar o mundo, começando pelo meu universo particular? E se eu nunca ficar satisfeita? E se eu sempre buscar novos caminhos pelo simples fato deles serem novos? Tantas e tantas coisas.

Pintei as unhas do pé de vinho, derramei Baudelaire aos meus pés, deixei meus pré-conceitos e conservadorismo de lado, e desfilei sangue e um tantinho assim de ousadia. As mãos acompanharam e presenciaram uma cena engraçada:

Hoje fui ao Mac Donalds sozinha, como estava chovendo e na hora do jantar não havia uma mesa se quer desocupada, mas, como é de costume, casais ocupavam mesas para quatro pessoas. Não tive dúvidas, escolhi a duplinha com mais cara de tédio e pedi para sentar-me. Meio que a contragosto a menina quis mostrar-se educada para o rapaz e deixou. Sorri, sentei e me concentrei nos textinhos da minha bandeja.
Mas, foi inevitável, juro, mais forte do que eu... Comecei a ouvir a conversa alheia. Eles não se conheciam direito, mas queriam se impressionar, ele dizia que corria não sei quantos quilômetros por dia e que comia mais rápido que fulano de tal (eu se fosse ela, já ficaria imaginando o quão desagradável é estar com alguém que come rápido e em todos os problemas e significados que isso pode implicar...).
Papo bobo vai, vem, eis que o tal rapaz fixa o olhar em mim por um momento. Como eu sei? Oras! Eu percebi pelo silêncio constrangedor. Tive muita vontade de fazer um barulhinho com o canudo, aqueles de criança mesmo, só para quebrar o clima. Mas, a tal menina reage e diz em tom de desabafo a bela frase:
”Ontem eu também queria muito ter feito a minha unha, mas o dia foi tão corrido”
Não, eu não ri. Nem o menino, que, extremamente envergonhado disse que ela estava ótima.
Não, eu não estraguei a noite alheia. Mas, confesso, pela primeira vez achei as minhas unhas sexy’s.  

 Fora isso, assisti a filmes, andei para caramba, decidi e desisti de coisas e mais coisas... Não sei se terei filhos, não sei se casarei um dia, não sei se terei casa, carro e dinheiro, não sei se um dia ficarei quieta, não sei se respeitarei dietas, limites, palpites... Não sei se isso é bom ou ruim. E não acho que deva definir tão cedo.



Escrito por Talita, Tali, Táta, Tá às 22:32
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