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Confessionário
Escrever em primeira pessoa, sendo diversas divergentes, sendo gente das mais variadas formas e opiniões, tendo uma rebelião dentro de si. Qual é a primeira pessoa que quer sair? Qual das pessoas merece estar em primeiro plano? A que tem vontade de cantar, a que tem vontade de matar, a que desaba sem exteriorizar, a que vai onde a notícia está, a que tem preguiça? Aquela ou essa? Todas peças únicas.
Tudo menos a simplicidade. Tudo menos o ideal. Tudo menos o teórico (não verbal).
Porque é na prática que o suor cai, as lágrimas saem disfarçadamente ou em turbilhão, é na real que sentimos o quanto a pressão dói e inspira. São nos prédios mais altos que temos mais horizonte, não é mesmo? Mas, experimente descer todos os andares pela saída de emergência, sentido as pernas bambas no final, mesmo sabendo que a subida será, mais uma vez, em um elevador.
Sinto falta de cinema, poemas, poentes. Sinto falta das pontes imaginárias com o utópico. Sinto falta de sentir-me menos objetiva, mais instintiva, menos urbana, mais humana. Sinto falta da que faz sem pensar, da que não faz por não estar a fim, mesmo que vez ou outra eu force a barra para ser mais, não melhor, contraditória.
Não estou infeliz, não tenho cicatrizes profundas, nem feridas expostas, mas... Inquieta que sou, continuo a desejar mais ondas altas sobre as ondas... E calo palavras que não são minhas.
“Eu gosto dos que têm fome,
Dos que morrem de vontade,
Dos que queimam de desejo,
Dos que ardem”
Adriana Calcanhoto
Escrito por Talita, Tali, Táta, Tá às 21:46
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